A CIGARRA DA PRIMAVERA

Carineta diardi (GUÉRIN-MÉNEVILLE,1829) (HEMIPTERA:CICADIDAE) NAS COLEÇÕES HISTÓRICAS DO MZUSP COMO FONTE DE DADOS AMBIENTAIS E DE PADRÕES DE OCORRÊNCIA NA MATA ATLÂNTICA

Autores

  • Serafim Bissoli Instituto Federal de São Paulo
  • Talita Roell Museu de Zoologia da USP (MZUSP)
  • Tatiana Ruschel

Palavras-chave:

Banco de dados, Ecologia, Auchenorrhyncha

Resumo

Coleções biológicas são cruciais para o desenvolvimento do conhecimento em diversas áreas, pois abrigam testemunhos da diversidade no espaço e tempo. A coleção de Hemiptera do Museu de Zoologia da USP contém séries temporais de algumas espécies, como de Carineta diardi, coletada por cerca de 80 anos seguidos. Ao longo dos últimos 6 meses, este estudo buscou efetuar a curadoria física dos exemplares de C. diardi depositados no MZUSP e a curadoria digital de seus dados, a fim de preencher lacunas no conhecimento da distribuição espaço-temporal do grupo, revelando aspectos importantes para o conhecimento da biodiversidade e sua conservação e tem potencial para apresentar dados sobre variantes ambientais dos últimos oitenta anos. O projeto explorou as cigarras presentes na coleção de Maria Aparecida Vulcano (in memoriam), tombando 895  exemplares de C. diardi que datam desde 1939 até 1965, e o material do Sr. Carlos Campaner, que coletou exemplares de C. diardi ininterruptamente nos últimos 20 anos em São Paulo, SP, Brasil. Os exemplares das coleções já passaram pela curadoria física, que envolveu a remoção de fungo presente nos exemplares a partir do umedecimento do mesmo com spray de lysoform e álcool (Brown 2015), removendo o fungo com o auxílio de pinças finas e depois mantidos em estufa a 40 graus Celsius para secagem por aproximadamente 24 horas. Os dados das etiquetas nos mostram que a distribuição de C. diardi se concentra na Mata Atlântica nos estados do sudeste do Brasil e na região de Misiones na Argentina. Os meses de maior abundância de C. diardi são setembro e outubro. Na coleção do MZUSP, 59% das C. diardi são machos, 34,7% são fêmeas e 6,2% não são determinadas por questões de preservação dos exemplares. Esse dado se contrapõe à maioria da coleção de Hemiptera em que as fêmeas são predominantes. Os resultados estão sendo tratados e interpretados e serão apresentados em formato de artigo científico. Os resultados serão comparados com o estudo de Acosta et. al (2023) que reuniu informações de uma plataforma de ciência-cidadã, expandindo as informações que temos sobre o grupo.

Biografia do Autor

Talita Roell, Museu de Zoologia da USP (MZUSP)

Professora Doutora e Curadora de Hemiptera no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, atua na Divisão Científica e na Divisão de Difusão Cultural; é vice-presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária MZUSP. Mestre e Doutora em Biologia Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com doutorado sanduíche no The Natural History Museum of London (NHMUK). Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Contestado (UnC). Foi pós-doutoranda no Museu de Zoologia da USP. Foi professora substituta na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi professora da rede pública nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e da rede privada no Paraná. É editora de área (Hemiptera) nos periódicos Zootaxa, Entomological Communications, Papéis Avulsos em Zoologia e Arquivos em Zoologia. Tem experiência em Zoologia, com ênfase em Entomologia. Dedica-se à pesquisa em sistemática, taxonomia, biologia e biogeografia de grupos recentes, especialmente Pentatomidae (Hemiptera). Tem experiência com recursos e atividades didáticas e de extensão, sendo idealizadora do Canal Entomo Merian ( https://www.youtube.com/c/EntomoMerian ).

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Publicado

2026-02-06