ABAMBAÉ E TUPAMBAÉ
TRABALHO INDÍGENA E PRODUÇÃO NAS REDUÇÕES JESUÍTICAS DO GUAIRÁ (1609-1632)
Palavras-chave:
Abambaé, Tupambaé, Trabalho indígena, Produção, GuairáResumo
O período analisado nesta pesquisa corresponde a um momento de introdução das reduções jesuíticas entre os indígenas do Guairá. Marcado por invasões dos bandeirantes de São Paulo, este período teve duração entre o início da expansão missioneira da Companhia de Jesus no Paraguai (1609) e o abandono definitivo daquelas reduções como consequência das bandeiras (1632). Diversos fatores seriam entraves para o projeto missioneiro: conflitos em torno do controle da mão de obra com os encomenderos espanhóis; incursões de bandeirantes que ocorreram antes de 1632; e a necessidade de concessões frente às resistências ou exigências de diferentes grupos e lideranças indígenas. Integrada ao Grupo de Pesquisa História e Historiografia das Américas, esta pesquisa busca analisar a organização produtiva e o trabalho indígena nestas reduções durante esta fase inicial de ocupação jesuítica. Especificamente, busca-se: examinar as adaptações de elementos da cultura produtiva indígena no interior das reduções, incluindo impactos na divisão de gênero tradicional dos grupos Guarani; identificar a possível circulação de produtos e trabalhadores entre as reduções, bem como entre elas e outros locais; e analisar as eventuais transformações de práticas agrícolas, principalmente devido à possível incompatibilidade entre a prática da coivara, que exigia trocar de chácaras regularmente, e a intenção dos missionários de estabelecer assentamentos mais fixos. Com influência da Nova História Indígena e da aproximação que ela promove entre a historiografia e campos como a etnologia e a antropologia, pretende-se fazer a leitura de documentos desta primeira fase de missionação platina, como as Cartas Ânuas ou correspondências particulares – processo amparado por um suporte bibliográfico que trata das especificidades da escrita jesuítica, principal origem das fontes utilizadas. Na cultura produtiva, foram identificadas mudanças na intensidade do trabalho para homens e mulheres; no entanto, para os primeiros, o rol de atividades exercidas passou por mais transformações. Reduções aparentavam certa independência entre si, mas podendo se ajudar em momentos de crise e circular trabalhadores segundo a necessidade. Não foram encontradas evidências de substituição da coivara, cujas limitações podem ter sido atenuadas pela introdução do arado e do gado; além disso, considerando a evidência de movimento pendular dos lavradores indígenas, novas chácaras, mais distantes, podem ter sido criadas, sem abandonar o assentamento. Por outro lado, enquanto algumas reduções talvez não tenham durado o suficiente para haver problemas de sustentabilidade, os frequentes episódios de baixa produtividade agrícola podem ter sido consequência de esgotamento do solo.
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