A Figura da Matriarca no Realismo Mágico Latino-Americano

Análise Comparativa entre Úrsula Iguarán, em Cem Anos de Solidão, e Donana, em Torto Arado

Autores

  • Laura Araújo da Silva IFSP - Campus Salto
  • Luis Henrique da Silva Novais

Palavras-chave:

Realismo Mágico, Literatura, Literatura Comparada, Cem Anos de Solidão, Torto Arado

Resumo

O trabalho propõe uma análise comparativa entre as personagens Úrsula Iguarán, em Cem Anos de Solidão (1967), de Gabriel García Márquez, e Donana, em Torto Arado (2019), de Itamar Vieira Junior. Sendo figuras essenciais nos respectivos romances, ambas as matriarcas representam modelos simbólicos na literatura latino-americana, expondo heranças culturais, religiosidade e vivências partilhadas em todo o continente. A pesquisa parte do pressuposto de que essas personagens desempenham papéis fundamentais para a continuidade e coerência narrativa das obras em que estão inseridas. Buscando investigar a contribuição e representação das matriarcas dentro dos conceitos do realismo mágico, a análise ancora-se nos estudos literários latino-americanos e nas contribuições do realismo mágico como ferramenta estética e política. A pesquisa destaca como Úrsula e Donana, apesar de situadas em contextos distintos, resistem ao apagamento histórico e enfrentam situações familiares semelhantes, o que as aproxima simbolicamente por meio dos enredos que protagonizam. Além disso, o estudo contextualiza as relações entre as tradições literárias hispano-americanas e brasileiras, colocando-as como expressões que compartilham aproximações e influências. Essa aproximação reforça a possibilidade de criar um espaço de troca e reflexão, independentemente da barreira linguística. A proposta contribui para repensar como a mulher, especificamente a figura materna, se faz presente na literatura latino-americana de cunho mágico-realista, rompendo com representações passivas que marcaram historicamente a personagem feminina. As matriarcas de García Márquez e Vieira Junior revelam como a mulher pode assumir força narrativa e simbólica por si só, tornando-se, junto às obras, testemunhos de um parentesco literário e social presente em todo o continente.

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Publicado

2026-02-06