CULTURA CORPORAL EM RETRATO

ANÁLISE DAS EXPERIÊNCIAS CORPORAIS DA COMUNIDADE ESTUDANTIL DO CAMPUS SÃO PAULO DO IFSP

Autores

  • Charlita Bandeira Bezerra São paulo
  • Ivan Luis dos Santos

Palavras-chave:

Experiências Corporais, Estudantes, Campus São Paulo, ifsp, Pesquisa Qualitativa

Resumo

O patrimônio corporal dos sujeitos representa parte significativa de suas culturas e dos grupos os quais fazem parte. Quando chegam à escola, os/as estudantes carregam consigo uma infinidade de conhecimentos ligados às práticas corporais, resultantes das múltiplas experiências que constituíram nos diversos espaços da vida social. Nesse sentido, os gestos corporais que manifestam durantes as brincadeiras, lutas, ginásticas, esportes e danças, uma vez carregados de significados, expressam textos culturais particulares, indicando um fator de identidade cultural. Diante de uma sociedade com características multiculturais e diante de um contexto institucional marcado pela pluralidade crescente de seus sujeitos, o objetivo deste projeto é reconhecer, divulgar e valorizar as experiências corporais da comunidade estudantil do campus São Paulo do IFSP, seus representantes, bem como, os processos de ressignificação envolvidos, possibilitando interpretações e sínteses que sirvam como um primeiro passo na constituição de um “Observatório de Práticas Corporais”. Para tal, recorre a uma investigação de cunho qualitativo, prevendo um constante exercício de leitura e interpretação dos dados produzidos a partir da aplicação de questionários eletrônicos, realização de entrevistas narrativas e observações participantes. Os resultados preliminares obtidos indicam que, embora marcado por uma tradição institucional de (re)produção das competições esportivas, os estudantes do campus São Paulo do IFSP produzem temporalidades e territórios identitários diversos, nos quais o fenômeno da corporeidade expressa-se a partir de múltiplos textos corporais: dos corpos postos em movimento quando embalados pelas apresentações musicais dos intervalos de turno, àqueles que resistem à imobilidade requerida nas salas de aula, apropriando-se dos jogos e brincadeiras constantemente ressignificados no campo de futebol, na quadra de vôlei de areia, nos tabuleiros e nas cartas. O currículo formal, mediante os diferentes componentes curriculares, também aparece como um potente agenciador das práticas corporais, trazendo à tona os embates da corporeidade: das atividades de experimentação e vivência propostas nas aulas de Educação Física às retratações imagéticas dos corpos em exposições organizadas pela disciplina de Artes. Em oposição a qualquer perspectiva de reprodução de uma escola colonizada pela cultura hegemônica, a presente pesquisa – em andamento – tem-se colocado atenta ao contexto da vida comunitária, de forma a vislumbrar possibilidades para que sejam valorizadas e interpretadas as formas como a cultura corporal é representada localmente.

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Publicado

2026-02-06