GILEAD E A CONSTRUÇÃO DE MUNDOS POSSÍVEIS DISTÓPICOS DO INSÓLITO FICCIONAL
Palavras-chave:
insólito ficcional, mundos ficcionais distópicos, O conto da aia, novum, estranhamento cognitivoResumo
Esta pesquisa analisa a função das manifestações insólitas na configuração de mundos possíveis distópicos, a partir de uma abordagem narratológica pós-clássica. A literatura distópica projeta futuros perturbadores e mobiliza recursos narrativos que intensificam o estranhamento e a crítica social. Sob uma perspectiva feminista, O conto da aia (2017), de Margaret Atwood, constrói um universo ficcional marcado pela opressão e desigualdade de gênero, configurando a República de Gilead como exemplo de novum que gera o estranhamento cognitivo, conforme defendido por Darko Suvin (1979). A análise fundamenta-se na teoria dos mundos possíveis (Ryan, 2014; Palmer, 2004; Norledge, 2022) e nos estudos de Flavio García (2009) sobre o insólito ficcional. Por meio de trechos selecionados, identifica-se como elementos narrativos e discursivos como a fragmentação
temporal, a ressignificação de símbolos, assim como os espaços de vigilância e a descrição de rituais institucionalizados intensificam o impacto crítico da obra. Os resultados parciais indicam que Gilead não apenas se sustenta como mundo possível dentro da lógica interna da obra, mas também evidencia o insólito como dispositivo crítico-narrativo que questiona o apagamento das vozes femininas, promovendo reflexão sobre a realidade social contemporânea.
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