OLHARES COLONIAIS E MEMÓRIAS DE RESISTÊNCIA

MOCAMBOS E QUILOMBOS DO TROMBETAS E DO BAIXO AMAZONAS NOS RELATOS DE VIAJANTES E NA HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA

Autores

  • Paulo Roberto Bomfim IFSP
  • Clarissa Maciel Cavalcante

Palavras-chave:

quilombos, Viajantes no Brasil, História da Amazõnia, olhares decoloniais, memórias coletivas

Resumo

Pretende-se analisar os olhares de viajantes e exploradores do século XIX e início do XX sobre os quilombos do Trombetas e Baixo Amazonas, em contraste com a memória social e a historiografia contemporânea. As crônicas de viagem descrevem comunidades quilombolas como espaços de desordem e degeneração, reforçando estereótipos coloniais e raciais. Contudo, esses relatos também documentam práticas culturais, formas de sociabilidade e estratégias de territorialização, revelando a vitalidade dessas comunidades. Em contraposição, estudos recentes e a memória coletiva destacam a historicidade dos quilombos amazônicos, enfatizando sua autonomia econômica, organização social baseada no uso comum da terra e a fuga como ato fundador de liberdade e resistência. A partir de uma leitura crítica e comparativa, argumenta-se que os relatos de viajantes, apesar de atravessados por preconceitos, constituem registros fundamentais para compreender a resiliência quilombola na Amazônia. Ao reconstituir os significados de mocambo e quilombo, evidencia-se a passagem de categorias coloniais estigmatizadas para símbolos de luta e identidade, reafirmados na atualidade pelas comunidades remanescentes.

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Publicado

2026-07-14