Programação
Dia 11 de Novembro (quarta-feira)
Local: Auditório Ivo - IFSP – Campus São Paulo
8h00 - 8h15 ABERTURA
8h15 - 10h15 MESA 1 - HABITAR AS VÁRZEAS: TERRITÓRIOS, MEMÓRIA E PERMANÊNCIAS
As várzeas dos rios de São Paulo podem ser compreendidas como territórios compostos por relações que articulam rios, campos, gramados, enchentes, vegetação, infraestruturas, clubes, práticas esportivas, formas de trabalho, festas, memórias, políticas públicas e comunidades. Esses elementos participam da produção contínua das várzeas e das formas de vida que ali se constituem. Nessa perspectiva, a população negra, o futebol de várzea e os muitos coletivos nesses territórios integram essa composição, ao lado dos processos ecológicos, das transformações urbanas e dos artefatos materiais que conformam esses espaços. Ao longo do tempo, as várzeas reuniram comunidades que construíram formas próprias de convivência. A presença das populações negras marcou a história das várzeas paulistanas e fez desses territórios lugares de pertencimento e de produção da vida urbana. A mesa propõe reunir representantes dessas diferentes experiências para discutir como as várzeas contribuíram para a formação social e cultural de São Paulo. A partir de perspectivas diversas, busca refletir sobre as memórias que permanecem vivas, os vínculos construídos com esses territórios e os modos pelos quais essas comunidades seguem fazendo a cidade. Ao colocar em diálogo práticas culturais e experiências de organização comunitária, a discussão pretende evidenciar o papel das várzeas como espaços de identidade e resistência. Também pretende abordar os desafios atuais enfrentados por esses grupos, como a preservação de suas práticas, o reconhecimento de seus patrimônios materiais e imateriais, as disputas pelo território e as condições para que essas formas de vida continuem presentes na cidade. A mesa parte da ideia de que compreender as várzeas é também compreender uma parte fundamental da história de São Paulo e reconhecer os sujeitos que, por muitas vezes, permaneceram à margem das narrativas oficiais.
Convidados:
Tio Toninho (Antônio de Jesus Marcos): Presidente do Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança, tradicional clube de futebol de várzea da Casa Verde, na Zona Norte de São Paulo, fundado em 1958 por um grupo de taxistas negros. Integrante do Cruz da Esperança desde a década de 1970, Tio Toninho é uma importante liderança comunitária ligada à preservação da memória do futebol de várzea e das culturas negras da região. À frente do clube, atuou na defesa da permanência do Cruz da Esperança em seu território e na valorização de suas práticas culturais, entre elas o tradicional Samba do Cruz, articulando esporte, samba, sociabilidade e memória comunitária. Em 2026, esteve à frente da mobilização contra a reintegração de posse promovida pela Prefeitura de São Paulo para implantação do Parque Campo de Marte. Apesar da resistência da comunidade, o clube foi retirado do território e teve sua sede demolida, interrompendo uma presença comunitária construída ao longo de décadas.
Alberto Luiz dos Santos: Doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Rede Paulista de Educação Patrimonial (REPEP) e do Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidade e Memória, vinculado ao Labur/FFLCH/USP (CNPq). Pesquisador na área de Geografia Urbana e Patrimônio Cultural, com ênfase nas referências culturais relacionadas ao futebol popular e ao samba paulistano. Possui publicações nessa área, além de atuar em estudos técnicos, cursos, formações, conselhos e curadoria.
Mediadores
Giselly Barros Rodrigues: Professora efetiva e pesquisadora do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), arquiteta e urbanista, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). É pesquisadora e líder do GEPRETAS – Grupo de Estudos e Pesquisas das Relações Étnico-Raciais no Território, Arquitetura e Sociedade e integrante do NEABI e da ABPN. Atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, articulando relações étnico-raciais, territórios, paisagens e arquitetura a partir de uma perspectiva afrorreferenciada. É autora do livro Ruas, ritmos e raízes: territórios negros nas encruzilhadas urbanas de São Paulo (2025) e coordenadora do projeto TENEGRES Brasilândia, premiado pelo Programa Ancestralidades (2024) e pela Fundação Péter Murányi (2026). Atualmente, realiza estágio pós-doutoral pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Pedro Henrique de Carvalho Rodrigues: Professor efetivo do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), arquiteto e urbanista com mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo e doutorado em Projeto de Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP). É pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas das Relações Étnico-Raciais no Território, Arquitetura e Sociedade (GEPRETAS) e coordenador do projeto de extensão TENEGRES - Territórios negros, memórias e culturas na Baixada do Glicério. Atua nas áreas do ensino de projeto de arquitetura e na formação de docentes para o ensino superior.
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SESSÕES TEMÁTICAS: Serão realizadas durante o dia com a programação divulgada após o resultado das avaliações dos trabalhos submetidos. ``
Dia 12 de Novembro (quinta-feira)
Local: Auditório IFSP – Campus São Paulo | Presencia
8h30 - 10h15 MESA 2 - NOVOS COLONIALISMOS, NOVOS REGISTROS, NOVAS REPRESENTAÇÕES
As novas tecnologias de informação e comunicação são, disseminadas, enquanto discurso, como irreversíveis, irresistíveis e como parte de um avanço natural da tecnologia. Entretanto, essa visão tecnocêntrica desconsidera os impactos e as particularidades de cada comunidade frente ao avanço implacável desse novo tipo de colonialismo: o colonialismo digital, de dados e de algoritmos, e do impacto nas culturas tradicionais e locais. Nesta mesa pretendemos discutir como os avanços tecnológicos recentes afetam os saberes e comunidades tradicionais; como novas formas de subversão do discurso do progresso tecnológico capitaneado pelo Norte global podem ser operacionalizadas, como formas de apropriação e resistência a essas tecnologias pelo Sul global podem ser estruturadas, e a necessidade de se uma nova epistemologia sobre essas questões, partindo das relações Sul-Sul, é necessária. Abordará a questão da tecnologia como um tema amplo e como processo histórico em curso, com destaque para a questão dos dados e dos impactos da Inteligência Artificial na vida dos indivíduos e da sociedade.
Convidados:
Em breve!
Mediador:
Juliano Pita: Professor efetivo do IFSP e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Analista de Sistemas pelo IFSP. Professor pesquisador do Nomads.usp e pesquisador da área de tecnologia computacional aplicada à Arquitetura e Urbanismo e seus impactos.
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SESSÕES TEMÁTICAS: Serão realizadas durante o dia com a programação divulgada após o resultado das avaliações dos trabalhos submetidos. ``
Apoio: 
