A GENTRIFICAÇÃO DA PAISAGEM NO BIXIGA (2000–2026)
TRANSFORMAÇÃO URBANA, MEMÓRIA NEGRA E DISPUTAS PELO TERRITÓRIO
Palavras-chave:
território, valorização urbana, memória, pertencimento, infraestruturaResumo
Este trabalho analisa as transformações da paisagem do Bixiga, em São Paulo, entre 2000 e 2026, considerando as relações entre valorização urbana, memória negra, territorialidade e infraestrutura. O objetivo é compreender de que maneira as mudanças recentes reconfiguram usos, representações e formas de permanência no território. A pesquisa adota abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica, análise documental e vivência do espaço urbano por meio da deriva. O referencial mobiliza discussões sobre território, memória, pertencimento e gentrificação, com destaque para Raffestin, Tuan, Castro e Neil Smith, além de fontes sobre a formação histórica do Bixiga e a presença negra. Os resultados indicam que a paisagem do bairro é formada pela sobreposição de diferentes temporalidades, entre a representação do Bixiga como bairro italiano, a permanência de práticas culturais negras e as intervenções urbanas recentes. A implantação da Linha 6-Laranja evidencia essa disputa, especialmente diante dos vestígios associados ao antigo Quilombo Saracura e da atuação do IPHAN em sua preservação. Conclui-se que a transformação urbana produz mudanças materiais e simbólicas, mas não elimina as formas de resistência e pertencimento que permanecem no território.
PALAVRAS-CHAVE: território; valorização urbana; memória; pertencimento; infraestrutura
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