AMERÍNDIOS E QUILOMBOLAS NAS PAISAGENS DO PLANALTO DE MINAS GERAIS E ANDES COLOMBIANOS
Keywords:
quilombos do Campo Grande, cidade indígena, colonização ibérica, contra-colonialidade, História da AméricaAbstract
As atuações de povos ameríndios e afro-americanos na formação de paisagens da América do Sul são aqui analisadas por meio de dois casos de povoamentos destruídos pela colonização: a rede quilombola do Campo Grande do século XVIII, no atual Triângulo Mineiro, e a cidade ameríndia de Pubén do século XVI, na cordilheira dos Andes da atual Colômbia. Pretendemos, aqui, entrever as interferências materiais e relações simbólicas entre certas culturas afro-americanas e ameríndias com seus territórios. Tais culturas afro-ameríndias são fundamentais na constituição de nossas sociedades contemporâneas, no entanto, ainda não receberam o devido destaque nos estudos acadêmicos. Buscando desvelar o papel desses povos na conformação das paisagens, realizamos um balanço bibliográfico de investigações históricas, arqueológicas e trabalhos autorais de membros de comunidades afro-ameríndias contemporâneas. Os casos analisados demonstram que os povoados ameríndios e quilombolas foram involuntariamente transformados em bases para a infraestrutura territorial subserviente à exploração capitalista ocidental. Entretanto, os passados afro-ameríndios soterrados continuam motivando disputas simbólicas pelas paisagens entre setores díspares da sociedade contemporânea. Esses exemplos de superposição de povoamentos rivais nas paisagens e lutas entre extratos sociais antagônicos podem servir de inspiração para novas pesquisas e atuações.
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