QUILOMBOS DO CAMPO GRANDE

ARQUIVOS VIVOS, FUTUROS INSURGENTES

Authors

  • Karen Freire fau-usp/ estudante doutorado
  • Laura Nakel FAU-USP/ Estudante Doutorado

Keywords:

quilombos, colonização, contracolonização, biointeração, documentos históricos

Abstract

A apresentação convida à observação de comunidades quilombolas, através das quais podemos imaginar formas alternativas de habitar os espaços, que integrem os humanos aos demais seres de seus biomas. Tendo como dispositivos os vestígios de alguns quilombos históricos oitocentistas, no atual Triângulo Mineiro, observados a partir de metodologias críticas de pensadores atuais, como Nêgo Bispo, Ferdinand, Haraway, Hartman, Harney e Moten. Dominando regiões próximas à Serra da Canastra durante boa parte do século XVIII, a rede quilombola dos sertões do Campo Grande contava com sistemas político-econômicos complexos, com plantações, pilões, curtumes, teares, forjas de ferreiro, casas de rei, audiência, conselho, trincheiras e armadilhas contra invasores. A presença daqueles povoados quilombolas ameaçava a dominação escravista cristã-europeia na América, sendo empreendidos diversos ataques bélicos para destruição dos quilombos e incorporação de seus territórios aos domínios da administração colonial. Tal violência institucionalizada não foi capaz de extinguir os povoamentos quilombolas, se mantendo presentes ainda hoje em diferentes recantos, cada qual cultivando comunidades com modos de vida próprios. Esses povoamentos e vidas fugitivas nos ensinam que existiram e existem alternativos aos modos cosmofóbicos de dominação e nos inspiram um planejamento insurgente e a invenção de novos mundos.

Published

2026-07-15